Relatório STOP alerta que haverá 150 milhões de obesos até 2030, a menos que sejam criadas medidas contra obesidade desde a infância.
Ana Margarida Marques

O Projecto STOP (Science and Technology in childhood Obesity Policy), que foi financiado em 2018 pela Comissão Europeia para identificar novas intervenções para reduzir a obesidade infantil na Europa, divulga as suas mais recentes descobertas.

Os números de obesos podem aumentar para 150 milhões até 2030. A mensagem do relatório é clara: são necessárias intervenções urgentes e inovadoras para travar a epidemia da obesidade infantil.

Crianças consomem 1/3 das suas calorias diárias na escola

De acordo com o relatório as crianças passam metade do seu tempo na escola e consomem pelo menos um terço das suas calorias diárias na escola. 

Os autores sugerem que a modificação dos ambientes alimentares e físicos das escolas poderá ajudar a situação. 

Os resultados mostram também que as escolas podem ajudar a moldar hábitos alimentares e de comportamento saudáveis sem perdas económicas. 

A preocupação principal deverá ser reduzir o Índice de Massa Corporal (IMC) e melhorar os hábitos alimentares das crianças.

Escola deveria dar mais opções de pratos saudáveis 

Segundo os resultados, as escolas que implementaram sugestões visuais simples, como a utilização de rótulos com emojis (ícones) positivos ao lado de opções alimentares saudáveis, levaram a uma mudança de comportamento em 76% da população escolar.

Dar opções de mais pratos saudáveis ou a alteração do tamanho das porções também levou a mudanças significativas de comportamentos.

Estudo alerta para impacto social na obesidade

Nos países desenvolvidos, as crianças socialmente desfavorecidas – provenientes de famílias com rendimentos baixos, minorias étnicas, com baixos níveis de educação ou dependentes de subsídios de saúde – correm um maior risco de se tornarem obesas ou com excesso de peso.

O relatório STOP centra-se na ideia de que a obesidade tem características múltiplas e diversificadas, o que significa que as abordagens políticas deveriam ser mais diversificadas.

As novas evidências podem apoiar os governos e ajudar os decisores políticos a identificar as intervenções mais eficazes em matéria de obesidade infantil.

Muitas vezes moralizada como sendo um fracasso individual ou parental, a obesidade infantil é predominantemente influenciada por fatores externos e biológicos fora do controlo das pessoas. 

Milhões de crianças em toda a Europa entre os cinco e os 19 anos de idade foram classificadas como tendo excesso de peso ou obesas em 2016