Investigadores nos EUA estudaram as dinâmicas entre casais a trabalhar a partir de casa com crianças pequenas. Mais de um terço respondeu que foram as mulheres a assumir a maior parte ou a totalidade das responsabilidades.
Ana Margarida Marques

A Universidade de Geórgia nos EUA conduziu uma investigação para analisar como era a dinâmica entre casais a trabalhar a partir de casa com crianças pequenas durante o primeiro confinamento em março de 2020. 

Segundo os resultados, mais de um terço dos casais responderam que foram as mulheres a assumir a maior parte ou a totalidade das responsabilidades.

O estudo encontra-se publicado na revista Journal of Applied Psychology.

Pandemia pode ser oportunidade para alterar padrões familiares

Algumas investigações anteriores apuraram que os padrões familiares tradicionais podem ser alterados durante as crises, mas não foi isso que Kristen Shockley e os seus colegas identificaram nos primeiros meses do confinamento da covid-19 nos EUA.

“Pensávamos que esta seria uma oportunidade para os homens intervirem e participarem igualmente nos cuidados infantis, mas para muitos casais não vimos isso acontecer”, lamenta a autora principal do estudo.

À medida que as escolas encerravam e que muitos pais passaram para o regime de teletrabalho, a equipa criou um inquérito dirigido aos casais com dois filhos, tendo pelo menos um filho com menos de seis anos de idade.

Em março foi realizado um inquérito inicial a 274 casais. Foi conduzido um segundo inquérito com 133 dos mesmos casais em maio.

O estudo avaliou a tensão conjugal, a saúde e o desempenho profissional, para além das estratégias de cuidados infantis implementadas pelos pais e pelas mães.  

Estratégias mais eficazes para igualar tarefas 

Segundo o estudo, 37% dos casais responderam que as mulheres prestaram a maior parte ou a totalidade dos cuidados infantis, 44,5% utilizavam estratégias mais igualitárias, e 18,9% utilizavam estratégias que não eram claramente igualitárias.

Segundo os autores do estudo, os casais que implementaram estratégias mais igualitárias:

  • alternaram dias de trabalho para um deles se concentrar em cuidar dos filhos
  • elaboraram o planeamento de mini turnos diários que incluíam tanto trabalho como cuidados infantis
  • criaram turnos alternados que mudavam de dia para dia com base nas necessidades de trabalho 

“Quando olhamos para as estratégias mais igualitárias, encontramos melhores resultados para as pessoas que conseguiam alternar dias de trabalho”, avança Shockley. 

“Os limites são claros. Quando se está a trabalhar, pode-se realmente concentrar no trabalho, e quando se está a cuidar das crianças, pode-se realmente concentrar nas crianças”, avança a investigadora.

O problema é que nem todos os empregos permitem a opção de os pais alternarem dias de trabalho entre si.

%

dos casais responderam que foram as Mulheres que prestaram a maior parte ou a totalidade dos cuidados infantis 

%

Dos casais utilizaram estratégias mais igualitárias

%

dos casais utilizaram estratégias que não eram claramente igualitárias