Em julho arranca a Campanha de Prevenção de Afogamentos de Crianças e Jovens da APSI. Só este ano já se perderam quatro vidas de crianças e jovens em Portugal.

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) arranca, em julho, com a campanha “A Morte por Afogamento é Rápida e Silenciosa.” 

As estatísticas apontam que, nos últimos 18 anos, morreram 260 menores e mais de 600 foram internados. Só este ano já se perderam 4 vidas de crianças e adolescentes. 

Segundo a APSI, os afogamentos continuam a ser a segunda causa de morte acidental nas crianças e jovens em Portugal. 

Em comunicado de imprensa, a APSI avança que, no atual contexto de pandemia, “é expectável que as famílias voltem a preferir locais com piscina (construídas ou montadas por aquelas, quer sejam maiores ou de dimensão mais reduzida), para as suas férias, como forma de contornar as restrições de acesso às praias e maiores aglomerados de pessoas.” 

30% dos afogamentos acontecem em piscinas 

De acordo com o levantamento feito pela APSI, na imprensa, de 2005 até 2020:

  • As piscinas são o plano de água onde mais de 30% dos afogamentos acontecem, seguidas das praias e dos rios, ribeiras e lagoas, com pouco mais de 20%, cada. 
  • Nestes planos naturais, são as crianças mais velhas as vítimas mais comuns, ao passo que em ambientes construídos, são sobretudo, as crianças até aos quatro anos. 
  • Os rapazes afogam-se três vezes mais que as raparigas. 

O mês mais trágico continua a ser julho (25%), seguido de agosto (20%) e logo depois junho (14%). 

Piscinas continuam sem “enquadramento legal”

A APSI lamenta que mais um verão teve início sem que as piscinas têm um enquadramento legal. 

Em comunicado, “a APSI volta a pedir que o Estado assuma as suas responsabilidades.” 

“Há anos que a Associação apela à criação de um enquadramento legal abrangente para todas as piscinas e à obrigação de proteção de piscinas domésticas e inseridas em condomínios, unidades de alojamento local, aldeamentos turísticos, turismo de habitação e turismo rural.”

Em 2019 a Carta Aberta enviada a todos os líderes partidários, que resultou em três audiências (PEV, CDS e PS) e em que todos reconheceram a relevância do problema, não resultou em qualquer medida concreta. 

Em 2020, a APSI foi recebida pelo Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, que assumiu a preocupação com o tema e o compromisso em envolver outras Secretarias de Estado, mas que, até à data não resultou em nenhuma medida com efeitos práticos.

Sobre a APSI

Há 19 anos que a APSI criou o slogan da Campanha – A Morte por Afogamento é Rápida e Silenciosa. 

A APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, fundada em 1992, tem por objetivo promover a melhoria da qualidade de vida das crianças e adolescentes e assegurar a criação de ambientes, espaços, produtos e oportunidades onde todas as crianças e jovens possam viver, brincar e desenvolver-se plenamente e de forma saudável, em pleno gozo dos seus direitos, através da informação, formação, investigação e participação em processos de normalização e regulamentação visando a criação de um ambiente saudável e seguro para toda a família. 

É uma associação sem fins lucrativos com o estatuto de utilidade pública, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, uma Associação de Defesa do Consumidor e uma Associação de Família.