A orientação atual da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que os bebés podem ser amamentados, mesmo aqueles cujas mães estejam infetadas pelo vírus. Conheça as medidas a seguir para diminuir o risco de infeção nas crianças.
Ana Margarida Marques

O leite materno é a melhor fonte de alimento para os bebés, incluindo aqueles cujas mães têm a confirmação ou a suspeita de infeção por coronavírus. Desde que a mãe que esteja infetada tome as devidas precauções, pode amamentar o seu bebé, assegura a Organização Mundial de Saúde (OMS). O leite materno contém anticorpos e outros benefícios imunológicos que podem ajudar a proteger contra doenças respiratórias. Ainda segundo as evidências, a amamentação desempenha um papel importante no crescimento, no desenvolvimento e na saúde das crianças, além de ajudá-las a evitar a obesidade e outras doenças, mais tarde na sua vida.

Riscos da amamentação durante a pandemia

Até ao momento, o vírus que causa o COVID-19 não foi detetado no leite materno. No entanto, os estudos existentes são limitados, já que estamos perante uma doença nova. As autoridades de saúde pública continuam a aprender sobre como o vírus se propaga e que tipo de riscos representa para os bebés, cujas mães têm a doença, explica a OMS. Segundo a mesma fonte, em estudos entre mulheres com COVID-19 e outra infeção por coronavírus (Síndrome Respiratória Aguda Grave, SARs-CoV), o vírus não foi detetado no leite materno. Num estudo recente de Wuhan, na China, os investigadores recolheram e testaram amostras de leite materno de seis mulheres que tiveram COVID-19 durante a gravidez – todas as amostras foram negativas para o vírus. No entanto, são necessárias mais pesquisas para confirmar os resultados. O principal risco de transmissão parece vir do trato respiratório de uma mãe infetada. Todavia, até ao momento, há indícios de que a doença causada pelo COVID-19 geralmente não é grave em bebés e crianças pequenas, acrescenta a OMS em comunicado.

Estratégias para reduzir o risco de infeção

A orientação atual da OMS é que as mulheres com COVID-19 podem amamentar se assim o desejarem, mas devem tomar precauções, incluindo:

1. Usar uma máscara durante a amamentação, que tape bem a boca e o nariz. 

2. Lavar as mãos com água e sabão, durante 20 segundos, antes e depois de tocar no bebé.

3. Fazer a limpeza e desinfeção frequentes de todas as superfícies em que o bebé toca.

Ainda segundo a OMS, o contacto precoce com a mãe e a amamentação exclusiva são dois princípios básicos para promover a saúde do bebé no seu início de vida. Portanto, mesmo que uma mãe tenha COVID-19, deve ser incentivada a tocar e a segurar o seu bebé, amamentar com segurança, segurar nele pele-a-pele e partilhar o quarto com ele.

Em geral, as recomendações indicam que as mães devem amamentar em exclusividade (não oferecer outro alimento, além do leite materno) durante os primeiros seis meses de vida. Posteriormente, as mães devem amamentar e dar à criança alimentos nutritivos e saudáveis, ​​até aos dois anos de idade ou mais.

Quando a doença impede a mãe de amamentar   

Se a mãe estiver demasiado doente para amamentar o seu bebé devido ao COVID-19, a OMS considera que deverá receber o apoio que for necessário para dar, com segurança, o seu leite materno por outros meios, nomeadamente retirar o seu leite (manualmente ou com uma bomba de extração) ou recorrer ao leite de dadores de bancos certificados. Após a sua recuperação, a mãe deve ser encorajada a retomar a amamentação, avança a OMS.