Se os pais reprimem o seu próprio stress podem estar a transmitir ansiedade aos filhos em vez de lhes promover bem-estar. A conclusão é de um estudo, numa altura em que as famílias estão há muito confinadas em casa devido ao surto de Covid-19.
Ana Margarida Marques

Stress e frustração são emoções normais no ambiente familiar, especialmente quando pais e filhos passam mais tempo em casa no contexto da atual pandemia.

Uma equipa de cientistas da Washington State University, liderada por Sara Waters, estudou as interações entre 107 pais e filhos, dos sete aos 11 anos. Investigadores observaram que as crianças tiveram uma resposta física ao stress nas situações em que os pais esconderam as suas emoções. 

Muitos pais dizem às crianças que estão bem, mas na verdade não é o que sentem. A intenção é evitar causar stress nas crianças, mas podem estar a fazer exatamente o oposto, referem os autores.

Estudo mostra que é mais reconfortante para as crianças que os pais sejam abertos com os filhos, refere Waters. Não basta dizer “vai ficar tudo bem”.

Por exemplo, “se uma criança diz aos pais que gostaria muito de ver os seus amigos, não tente imediatamente resolver esse problema”, explica Sara Waters. ”Sente-se com a criança e dê-lhe a oportunidade de regular essas emoções por ela própria”, avança a investigadora. “E tente fazer o mesmo por si mesmo, permita-se ficar frustrado e emocional”.

O estudo também apurou que há diferenças nos comportamentos das mães e dos pais. É mais frequente o pai mencionar que as coisas estão bem, mesmo quando não estão. Também é menos provável que as crianças vejam a sua mãe reprimir as suas emoções.

Os autores salientam que não pretendem que o estudo cause mais stress nos pais. Eis a sua mensagem para os pais: “Seja corajoso o suficiente para encarar a criança. As crianças trabalharão o seu caminho através dele; eles são bons nisso. Dar-se permissão para sentir abre a sua mente para mais e melhores soluções de problemas. É uma coisa boa.”

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