Sandra Nascimento
Presidente da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil

Um Carnaval sem qualquer mal

Fev 11, 2021 | Opinião, Sandra Nascimento | 0 comments

A primeira grande questão é: quem quero ser este ano? E apesar das inúmeras possibilidades, normalmente as crianças já fizeram a sua escolha há algum tempo. O passo seguinte é procurar o disfarce e os acessórios certos.

Depois do Natal, o Carnaval é, talvez, a comemoração mais esperada pelas crianças e, até, por alguns adultos. E de facto o Carnaval também é mágico, embora por razões diferentes!

É tempo de encarnar o nosso herói ou heroína, de pregar partidas aos outros e experimentar brincadeiras diferentes. É uma oportunidade para “vestir a pele” de outra pessoa, para experienciar novos papéis e “vidas”, ser arrojado e fazer algumas “loucuras”. Afinal, é Carnaval. E nessa altura quase tudo é tolerado ou perdoado.

A primeira grande questão é: quem quero ser este ano? E apesar das inúmeras possibilidades, normalmente as crianças já fizeram a sua escolha há algum tempo. O passo seguinte é procurar o disfarce e os acessórios certos.

Os disfarces e os acessórios de Carnaval são considerados brinquedos e por esta razão devem cumprir a norma (EN 71:1) e todos os requisitos de segurança exigidos para este tipo de produto. Devem ter a marcação CE, que apesar de não ser uma garantia, é um bom indicador de segurança, e todas as informações em português. É importante verificar todas as instruções e avisos de segurança e avaliar se há alguma restrição em termos de idade ou cuidado quanto à utilização e colocação. Se o disfarce, acessório ou a sua embalagem não possuir um aviso de contraindicação para crianças com menos de 36 meses pode ser usado pelas crianças mais pequenas.

Os disfarces e os acessórios de Carnaval são considerados brinquedos e por esta razão devem cumprir a norma (EN 71:1) e todos os requisitos de segurança exigidos para este tipo de produto.

Na compra deste tipo de brinquedo opte por lojas físicas e online de confiança para evitar produtos contrafeitos. Nas compras online dê particular atenção ao layout do site e respetivo endereço, às imagens do produto, à moeda em que são apresentados os custos e verifique se é um site de pagamento seguro (https://www. …) bem como se a identificação e localização da empresa ou profissional existe. Tenha em consideração que a legislação de proteção dos consumidores nas aquisições através da internet não se aplica de igual forma a todos as compras e produtos, como por exemplo, em sites fora da EU, compra a outro consumidor ou artigos em segunda mão. Consulte mais informações sobre comércio eletrónico de produtos seguros para crianças em https://www.ecom4children.eu/pt-pt/.

As crianças devem experimentar as fantasias de Carnaval para que possa confirmar que se adaptam bem ao seu tamanho: saias ou capas muito compridas e calças ou mangas largas podem provocar quedas, ficar presas em portas (de veículos, elevadores), escadas rolantes ou equipamentos de parque infantil. Também é fácil incendiarem-se, assim como, as cabeleiras, se estiverem próximas de uma fonte de calor. Opte por disfarces com materiais menos inflamáveis. 

O fato e os acessórios não devem ter cordões e fios largos e compridos à volta do pescoço, pois podem ficar presos durante uma brincadeira fazendo a criança ficar pendurada pela cabeça e estrangular. Não calce às crianças chinelos, sapatos largos ou com saltos altos. A animação e correria vai ser muita e é importante que os sapatos sejam confortáveis e estejam bem presos aos pés.

Na compra deste tipo de brinquedo opte por lojas físicas e online de confiança para evitar produtos contrafeitos.

As máscaras devem ser ajustadas à cara e cabeça da criança – nem muito pequenas e justas, nem demasiado grandes. A criança deve conseguir ver e respirar bem. Também os chapéus e lenços devem ser colocados de forma a não tapar a visão para evitar quedas e embates em obstáculos.

Quanto às brincadeiras e partidas é importante ensinar às crianças que não devem apontar pistolas de água, espadas ou outros objetos pontiagudos para a cara e para os olhos, nem atirar objetos como balões ou sacos com água para a cabeça ou cara dos outros. Estabeleça regras claras e locais próprios para este tipo de brincadeiras. Prefira espadas, facas e outros brinquedos semelhantes fabricados em material macio e flexível. 

Os “estalinhos” fazem as delícias das crianças mais velhas e são uma fonte de grande diversão quando rebentam no chão junto dos pés dos amigos, pelo susto que provocam. No entanto, têm componentes explosivos e podem, em algumas situações, provocar queimaduras. Por esta razão, deve evitar que a criança ande com “estalinhos” nas mãos ou nos bolsos: com o calor do corpo estes podem rebentar provocando queimaduras graves nas pernas e nos dedos. 

Prefira espadas, facas e outros brinquedos semelhantes fabricados em material macio e flexível. 

Não deixe que as crianças brinquem ou mexam em bombas de Carnaval pois podem rebentar nas mãos, mesmo depois de terem sido utilizadas, e causar queimaduras graves ou mesmo amputações. As bombas de Carnaval não são brinquedos: são produtos perigosos comparáveis ao fogo de artificio que só devem ser manuseadas por adultos mediante uma licença especial. Se tem crianças, não utilize nem guarde em casa este tipo de explosivo, de venda proibida a menores de 18 anos.

Esteja atento às crianças mais velhas e converse com elas sobre este tipo de brincadeiras que podem ter consequências graves para ela ou para os seus amigos. É importante que percebam como acontecem estes acidentes e compreendam as lesões graves que podem provocar.

E não se esqueça que nas brincadeiras sobre rodas – de bicicleta, skate ou trotinete – a melhor coroa que uma princesa pode usar ou o chapéu de pirata mais destemido é o capacete.

Reunidas e verificadas todas as condições, é tempo de libertar a criatividade, de voltarmos todos à infância, por 3 dias, e descobrir que a nossa imaginação está mais viva e surpreendente que nunca! 

As bombas de Carnaval não são brinquedos: são produtos perigosos comparáveis ao fogo de artificio que só devem ser manuseadas por adultos mediante uma licença especial.