Estudo da Universidade de Edimburgo demonstra que os níveis de cortisol nas grávidas estão ligados ao desenvolvimento da amígdala dos bebés, uma área do cérebro conhecida por estar envolvida na parte emocional e social da infância.
Ana Margarida Marques

Os níveis de stress nas mães estão relacionados com alterações nas áreas do cérebro infantil associadas ao desenvolvimento emocional, segundo um estudo realizado pela Universidade de Edimburgo.

A investigação foi financiada pela organização mundial de caridade para crianças, Theirworld, e está publicada na revista eLife.

O stress materno é conhecido por influenciar o desenvolvimento do comportamento da criança e a sua capacidade de regular as suas emoções à medida que cresce.

Os cientistas utilizaram uma medida objetiva na mãe, os níveis da hormona cortisol, para estudar as ligações com o desenvolvimento do cérebro do bebé.

O cortisol é uma hormona ligada à ansiedade e outros problemas de saúde. É um “mensageiro químico” envolvido na resposta do corpo ao stress e também desempenha um papel no crescimento fetal. Níveis mais elevados indicam uma maior quantidade de stress.

Prevenir problemas emocionais na criança

Para o estudo, os cientistas recolheram amostras de cabelo de 78 mulheres grávidas para determinar os níveis de cortisol das mulheres nos três meses anteriores.

Os bebés realizaram diversos exames cerebrais por ressonância magnética, um exame não invasivo que teve lugar enquanto os bebés dormiam.

A equipa de investigação da Universidade de Edimburgo demonstrou que os níveis de cortisol estão ligados ao desenvolvimento da amígdala do bebé, uma área do cérebro conhecida por estar envolvida no desenvolvimento emocional e social na infância.

Os médicos referem que isto poderá explicar porque é que as crianças cujas mães experimentaram níveis elevados de stress durante a gravidez podem ter mais probabilidades de ter problemas emocionais mais tarde na vida.

As mulheres grávidas que se sentem stressadas ou deprimidas devem procurar ajuda clínica. Com apoio profissional, a maioria das questões de saúde podem ser melhor geridas durante a gravidez, lembram os especialistas.

Segundo a equipa de investigação, os resultados comprovam a necessidade urgente de as mulheres serem apoiadas na sua saúde mental e física, antes e durante a gravidez. Daí ser prudente identificar atempadamente mães que necessitem de apoio.

Na opinião de Rebecca Reynolds, professora que co-liderou o estudo:

“Felizmente, os tratamentos psicológicos são muito bem-sucedidos na ajuda às mães e crianças e esperamos que as nossas descobertas possam orientar as terapias no futuro para ajudar a identificar aqueles que mais necessitam de apoio”.