Estudo compara leitura de histórias realizada com livros e no formato digital. No ecrã, a investigação deve explorar formas de melhorar a compreensão das histórias e despertar a curiosidade dos leitores.

As crianças de 1 a 8 anos têm menos probabilidade de compreender livros ilustrados quando os lêem em formato digital do que na sua versão impressa, segundo um estudo na revista Review of Educational Research.

As características digitais podem dificultar a capacidade de uma criança compreender a história que está a ler, uma vez que podem distrair a sua atenção do conteúdo da narrativa, avançam investigadores na Noruega e na Grã-Bretanha.

No entanto, quando os livros ilustrados digitais contêm funcionalidades destinadas a reforçar o conteúdo da história, têm um desempenho superior às versões impressas, segundo os investigadores.

Por exemplo, os livros digitais são mais eficazes do que os livros impressos para melhorar o vocabulário infantil quando incluem um dicionário que define palavras e expressões pouco utilizadas.

Segundo os autores, a investigação futura precisa de explorar formas de melhorar a compreensão das histórias e despertar a curiosidade dos leitores no formato digital.

Estudo englobou crianças na faixa etária de 1-8 anos

“A ampla disponibilidade de opções de leitura digital e a tradição rica de livros impressos para crianças levanta a questão de qual o formato de leitura mais adequado à aprendizagem dos jovens leitores”, avança Natalia Kucirkova, coautora do estudo, num comunicado de imprensa. 

“Verificámos que quando as versões impressa e digital de um livro são praticamente as mesmas e diferem apenas na voz-off ou impressão em destaque como características adicionais no livro digital, então a impressão tem um desempenho superior ao digital”, refere Kucirkova, professor na Universidade de Stavanger na Noruega.

Para a investigação, foram analisados resultados de 39 estudos, a maioria realizada entre 2010 e 2019, que incluiu um total de 1.812 crianças com um a oito anos de idade.

Livros digitais são de baixo custo e permitem maior acesso

Os investigadores compararam a compreensão da história e a aprendizagem de vocabulário das crianças quando leem um livro no papel versus no ecrã, e avaliaram os efeitos das funcionalidades utilizadas nos livros digitais, a presença de dicionários e o papel dos adultos que leem com os seus filhos.

A maioria dos livros digitais publicados comercialmente incluídos nos estudos não abrangia as técnicas de contar histórias que os adultos usam durante a partilha de livros, tais como atrair a atenção das crianças para os principais elementos da história e focar a sua atenção na cadeia de eventos da história.

Quando as funcionalidades digitais são concebidas para aumentar a capacidade das crianças de darem sentido à narrativa – por exemplo, ao induzirem os conhecimentos de fundo das crianças a compreenderem a história ou ao fornecerem explicações adicionais dos acontecimentos da história – os livros digitais compensam os efeitos negativos associados aos dispositivos digitais.

Segundo o estudo, os ebooks têm muito potencial e podem superar os livros impressos no que diz respeito à compreensão da história pelas crianças.

“Os livros digitais são de baixo custo de acesso e, portanto, mais facilmente acessíveis a estudantes de meios desfavorecidos”, frisa Kucirkova.

Contudo, “se queremos apoiar todas as crianças, precisamos de compreender o impacto dos livros digitais e torná-los de maior qualidade”.