O risco de depressão poderá duplicar em crianças nascidas de mães com a condição. Investigadores salientam a importância do rastreio precoce e tratamento da doença, bem como promover apoio às futuras mães.
Ana Margarida Marques

As crianças nascidas de mães que tiveram depressão durante ou após a gravidez têm um risco duas vezes maior de desenvolver a doença mais tarde na vida, segundo um estudo divulgado no JAMA Network Open

Os autores concluíram que o risco é superior para os filhos de mães com depressão perinatal do que para aqueles cujas mães tinham a forma pós-parto da doença.

A depressão nas mães aumenta o risco da doença nos filhos “como resultado de um fraco envolvimento e capacidade reduzida de atender às necessidades da criança”, sugere o estudo.

Foram revistos seis estudos com quase 16 mil díades mãe-filho. Em todos os ensaios científicos, as crianças tinham 12 anos de idade ou mais.

Os investigadores acreditam que é fundamental criar mais oportunidades de rastreios e de tratamento para as mães com depressão. Há também que fornecer apoio às mães para as ajudar a lidar com o stress e capacitá-las a prestar cuidados adequados às crianças.

Uma em cada sete mulheres sofre de depressão após o parto

Uma em cada sete mulheres, 600 mil por ano, sofre de depressão no primeiro ano após o parto. Pelo menos 20% sofre da condição durante a gravidez, segundo o estudo.

Nos últimos anos, um número crescente de artigos científicos tem sido produzidos para estudar os efeitos, a longo prazo, da depressão materna nos filhos. 

Muitos estudos têm demonstrado que a depressão materna durante e após a gravidez aparece associada a taxas de crescimento reduzidas, mal-nutrição e um risco acrescido de problemas de saúde infantil e obesidade. Estes fatores são considerados de risco para a saúde mental e emocional das crianças. 

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Das mulheres sofre de depressão durante a gravidez

Mulheres sofrem de depressão no primeiro ano após o parto (média por ano)