As crianças com maior capacidade de controlar os pensamentos, emoções e comportamentos, e de persistir na concretização dos seus objetivos, tendem a ser adultos mais felizes e saudáveis aos 45 anos.
Ana Margarida Marques

Um estudo de larga escala acompanhou mil pessoas desde o nascimento até aos 45 anos de idade na Nova Zelândia.

A investigação concluiu que o autocontrolo durante a infância, que consiste na capacidade de controlar os próprios pensamentos, emoções e comportamentos, e de persistir na concretização dos seus objetivos, pode ser responsável por um envelhecimento mais lento.

Os corpos e cérebros de crianças com um maior autocontrolo são também mais saudáveis e biologicamente mais jovens mais tarde na vida.

Além disso, o autocontrolo na infância pode ainda significar estar melhor preparado para lidar com os desafios de saúde, financeiros e sociais aos 45 anos de idade. 

O estudo encontra-se online na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences.

Autocontrolo na infância associado a envelhecimento saudável

“A nossa população está a envelhecer, e a viver mais tempo com doenças relacionadas com a idade”, avança Leah Richmond-Rakerd, autora principal do estudo e professora assistente de psicologia na Universidade de Michigan. 

“É importante identificar formas de ajudar os indivíduos a prepararem-se com sucesso para os desafios da vida, e viver mais anos livres de incapacidades. Descobrimos que o autocontrolo no início da vida pode ajudar a preparar as pessoas para um envelhecimento saudável”, avança a investigadora.

Segundo o estudo, as crianças com maior autocontrolo tendem a vir de famílias financeiramente mais seguras e têm um QI mais elevado. Mas o autocontrolo é o fator mais diferenciador.

Autocontrolo também pode ser aprendido na vida adulta

Contudo, o autocontrolo também pode ser ensinado aos adultos, garantem os investigadores.

O estudo defende a importância de um investimento da sociedade em formação para melhorar a qualidade de vida, não só na infância, mas também na vida adulta. 

O autocontrolo infantil foi avaliado por professores, pais e pelas próprias crianças aos 3, 5, 7, 9 e 11 anos de idade. As crianças foram observadas de acordo com parâmetros como agressividade, excesso de atividade, perseverança e desatenção.

Dos 26 aos 45 anos de idade, foram avaliados os sinais fisiológicos de envelhecimento em vários sistemas de órgãos, incluindo o cérebro. 

Em todas as medidas, o autocontrolo infantil mais elevado correlacionou-se com um envelhecimento mais lento.