Um novo estudo sugere que fumar na gravidez não só traz riscos para a saúde dos filhos, como pode vir a ter efeitos em gerações vindouras mesmo que não sejam expostas ao fumo do tabaco.
Ana Margarida Marques

Cientistas do Lovelace Respiratory Research Institute concluíram que a exposição ao fumo não só prejudica o desenvolvimento pulmonar fetal, como pode ter efeitos adversos nas gerações vindouras mesmo que não sejam expostas ao fumo do tabaco. 

As conclusões encontram-se publicadas na revista Frontiers in Immunology.

Estudos têm alertado que o fumo passivo durante a gravidez pode causar o nascimento prematuro de bebés ou com defeitos congénitos. Além disso, o tabagismo na gestação aumenta o risco de o bebé desenvolver condições pulmonares como asma, bronquite, infeções dos ouvidos e pneumonia. A exposição ao fumo após o nascimento também torna os bebés mais propensos à Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Além dos malefícios já comprovados, a investigação em causa sugere que os perigos de fumar durante a gravidez podem ser mais duradouros do que se pensa.

“Observámos um defeito relacionado com o fumo nas enzimas que produzem sulfureto de hidrogénio, um transmissor de sinal [mensageiro] que ajuda a regular o desenvolvimento de órgãos”, explica um dos autores. “E o defeito induzido pelo fumo nestas enzimas foi transmitido em animais de segunda geração.”

Os autores acreditam que estas enzimas podem servir potencialmente como um biomarcador para determinar a futura suscetibilidades da asma nas crianças.  

Além disso, as descobertas apoiam a necessidade de contínua sensibilização das grávidas contra qualquer forma de tabagismo, incluindo cigarros eletrónicos.