Fatores ambientais, sociais e comportamentais pesam mais do que a genética na prevenção da obesidade infantil, sugere um novo estudo.
Ana Margarida Marques

Embora a obesidade infantil seja determinada por fatores genéticos, os genes podem não ter um impacto definitivo na saúde das crianças.

Alguns genes desempenham um papel importante no sucesso de uma intervenção de perda de peso.

Contudo, os fatores ambientais, sociais e comportamentais fazem a maior diferença, de acordo com um novo estudo da Technical University of Munich.

São fatores muito importantes a considerar nas estratégias de tratamento da obesidade para crianças, sugerem os investigadores.

As crianças com tendência para desenvolver obesidade beneficiam muito de um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta equilibrada em termos calóricos e uma atividade física regular.

Os resultados do estudo encontram-se publicados na Jama Pediatrics.

Estilo de vida saudável pode ajudar a travar obesidade

A investigação incluiu mais de 1.400 jovens, com idades entre os 6 e os 19 anos, com excesso de peso ou obesos.

Foram inscritos num programa de quatro a seis semanas que incluía atividade física diária e alimentação saudável.

Segundo os autores, “a descoberta mais significativa é que as variantes genéticas conhecidas relacionadas com a obesidade parecem desempenhar apenas um papel menor na redução de peso a curto prazo em crianças com excesso de peso e obesidade”.

É necessária mais investigação para determinar se outros genes não relacionados com a obesidade também podem afetar a perda de peso.

Obesidade continua a ser condição crónica comum na infância

A obesidade infantil é uma das condições crónicas mais comuns que afetam as crianças.

Embora a genética seja uma parte integrante, o ambiente é uma componente essencial que precisa de ser abordada através de medidas sociais, individuais, familiares e escolares.

A adoção de um estilo de vida saudável contribui para reduzir a tendência da carga genética associada à obesidade.

O comportamento das pessoas pode ter um impacto muito elevado da prevenção, através de escolhas de um estilo de vida saudável.

Em Portugal, apenas no final da última década a obesidade infantil começa a registar uma tendência decrescente: de 15,3% em 2008 para 12% em 2019.