Estudo alerta que pais devem evitar discutir em frente das crianças e apresenta estratégias para minimizar o impacto do conflito parental.
Ana Margarida Marques

Estudo publicado na revista Child Development alerta que as crianças que veem os seus pais discutir durante uma separação ou divórcio são mais propensas a desenvolver sentimentos de medo de abandono.

Os resultados provêm de entrevistas com 560 crianças, entre os 9 e os 18 anos. Os pais e professores foram também entrevistados.

Os participantes do estudo tinham uma média de 12 anos e foram inscritos num programa pós-divórcio entre 2012 e 2015.

A equipa apurou que a ligação entre o conflito parental e o medo de abandono era evidente independentemente da idade da criança, embora fosse mais prevalecente entre os mais jovens.

Crianças podem sentir angústia, ansiedade e medo

Os investigadores perguntaram primeiro às crianças quão frequente e intenso era o conflito entre os seus pais.

A seguir questionaram com que frequência as crianças se sentiam envolvidas no processo, por exemplo, se eram solicitadas por um dos pais a levar uma mensagem para o outro.

Também quiseram saber se os seus pais diziam “coisas más” um ao outro.

“Descobrimos que a exposição ao conflito previa o medo das crianças de serem abandonadas por um ou ambos os pais”, avança a autora principal do estudo, Karey O’Hara, professora assistente de psicologia na Universidade Estatal do Arizona.

Por sua vez, as crianças que relataram maior medo de abandono tinham mais probabilidades de relatar problemas de saúde mental quase um ano depois.

Tais problemas incluíam sentimentos de angústia e/ou sentimentos gerais de ansiedade ou medo.

Boa relação com os pais não chega para proteger as crianças

Além disso, ter uma boa relação com os pais não protegeu as crianças do medo do abandono face a um conflito elevado.

Ser simplesmente um bom pai não chega para proteger as crianças do impacto da exposição ao conflito parental.

“Esta foi a descoberta mais surpreendente para nós”, segundo a autora. “A boa paternidade é um fator de proteção muito forte e poderoso para todas as crianças, especialmente depois de uma separação ou divórcio. Mas com base em estudos anteriores, sabemos que o efeito de uma boa paternidade é complicado em famílias separadas/divorciadas”.

É possível, acrescenta a investigadora, que “embora uma boa paternidade seja protetora, possa não ser suficiente para anular os efeitos negativos do conflito”.

Estratégias para minimizar impacto do conflito parental

Ainda assim os pais podem fazer algo a esse respeito: não discutir em frente das crianças.

Não discutir à frente das crianças pode ser um “escudo” para protegê-las do conflito parental. 

Os pais também podem ter um cuidado adicional para não dizerem coisas que façam sentir as crianças como se tivessem que escolher um lado.

“É também importante que os pais se certifiquem de que os seus filhos saibam que, embora estejam separados ou divorciados, continuarão a cuidar deles, para afastar quaisquer receios de abandono que a criança possa sentir”, avança O’Hara.

Em suma, a forma de reduzir o conflito é a prática da comunicação não violenta.

É também importante que os pais se certifiquem de que os seus filhos saibam que, embora estejam separados ou divorciados, continuarão a cuidar deles, para afastar quaisquer receios de abandono que a criança possa sentir.