A asma pode ser um fator protetor contra a covid-19. Contudo, especialistas alertam que crianças são “vetores de transmissão”.
Ana Margarida Marques

A asma não parece constituir um fator de risco para a covid-19 em crianças, mesmo naquelas que têm obesidade. Ao contrário do que se pensava no início da pandemia, a asma alérgica pode até proteger contra a infeção por SARS-CoV-2.

As conclusões são de um estudo de investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado no International Journal of Environmental Reseacrh and Public Health

Os dados resultam de uma revisão de artigos científicos publicados a nível internacional, avança uma notícia do CINTESIS.

Asma pode até ser fator de proteção contra covid-19

Os estudos realizados até agora indicam que as crianças com asma, bem como as que sofrem de atopia (mais predispostas a alergias), não são mais afetadas pela covid-19.

“Questiona-se se a asma será, por si só, um fator protetor contra a covid-19. Existem algumas explicações possíveis para que assim seja, como a expressão reduzida de recetores para o vírus SARS-CoV-2, o papel protetor dos eosinófilos (células do sistema imune implicadas na asma) presentes nas vias aéreas e as propriedades antivirais e imunomoduladoras da medicação inalada (corticoides)”, avançam José Laerte Boechat e Luís Delgado, investigadores do CINTESIS e da FMUP.

A proteção das crianças asmáticas contra a covid-19 acontece mesmo em crianças que são também obesas, ainda que a obesidade seja um fator de risco independente para a infeção em crianças e adultos.

Regresso à escola preocupa especialistas

Segundo o estudo, as crianças com ou sem asma continuam a transmitir o vírus, mesmo quando são assintomáticas.

“O regresso às escolas levanta sérias preocupações, pois as crianças sem sintomas podem funcionar como vetores de disseminação da doença na escola e na família”, alertam os autores.

Os especialistas defendem que a identificação de crianças assintomáticas deve ser parte da estratégia contra a covid-19, através de ações de rastreio, nomeadamente nos casos de surtos.

No que diz respeito às crianças com asma, consideram que o foco deve estar no controlo da doença, promoção da adesão à medicação e na estratificação do risco individual.

“Só assim as crianças com asma poderão regressar às escolas de forma segura”, defendem os investigadores.

Já as crianças com asma grave ou com asma não controlada devem continuar a ser consideradas como um grupo de risco para o desenvolvimento de formas graves de covid-19.

Os autores afirmam que a vacinação das crianças contra a SARS-CoV-2 deverá ser “um passo crítico” no combate à pandemia, quer para sua própria proteção, quer para suportar a imunidade de grupo. 

Até à data, a maior parte das vacinas não incluiu crianças nos ensaios realizados, relata o CINTESIS.