A 26 de julho assinala-se o Dia dos Avós. Face à pandemia nem todos os avós vão ter a proximidade física que gostariam com os seus netos. Especialistas dizem que haver um elo emocional é benéfico para ambas as partes e para toda a família.
Ana Margarida Marques

Devido à atual pandemia de Covid-19, as famílias são recomendadas a ter alguns cuidados nos relacionamentos com os avós, em particular ter em conta a sua idade e eventuais patologias. 

“Há avós que são jovens, sem fatores de risco adicionais […] Aí a convivência é uma convivência no âmbito do agregado familiar e não envolve nenhum risco acrescido para população que seja mais vulnerável”, esclareceu Graça Freitas, em maio, numa conferência de imprensa de atualização dos dados da pandemia de Covid-19. “Se os avós forem vulneráveis, devem ser protegidos”, alertou a responsável da DGS.

Nas situações em que não é recomendável a proximidade física, as tecnologias digitais podem ser um recurso eficaz para as famílias manterem o contacto à distância, dizem os especialistas.

Avós que cuidam dos netos tendem a ter mais longevidade

O estudo Berlin Aging Study – BASE (2017) demonstrou que os avós que cuidam de netos tendem a ter mais longevidade do que outros adultos que, com a mesma idade, não cuidam de ninguém. 

Publicado na revista Evolution and Human Behavior, o estudo contou com a participação de 500 adultos, com 70 anos ou mais. Observou-se que os avós envolvidos na prestação de cuidados ou ajuda aos netos tiveram um risco reduzido de morte em 37% em comparação com os que não prestavam qualquer ajuda. 

Foram também encontrados efeitos positivos semelhantes para os participantes que, na sua rotina diária, prestam apoio a outras crianças ou adultos na sua rede social.

A investigação pretendeu apurar se o cuidado dos avós dentro e fora da família está associado a uma maior esperança de vida. Apesar de os autores tenham reconhecido as limitações da investigação, observaram diversos benefícios nos avós cuidadores:

“Passar tempo com os netos é uma boa forma de as pessoas mais velhas terem um sentido de vida, mantendo-as, ao mesmo tempo, física e mentalmente ativas.”

Ser avó ou avô tem efeitos positivos sobre a função cognitiva e o bem-estar

Investigações anteriores indicam que ser avó ou avô pode ser benéfico para a saúde, com efeitos positivos sobre a função cognitiva e o bem-estar.

Uma investigação levada a cabo, em 2016, pela Universidade de Boston, acompanhou diversas famílias entre 1985 e 2004. O estudo comprovou que a “proximidade emocional entre netos e avós protege ambos da depressão e outros transtornos mentais”. 

Estes dados foram confirmados por um outro estudo, em 2014, da Sociedade Americana de Gerontologia, que aborda os benefícios na saúde de ter (e ser) avós.  

Na literatura científica também encontramos, contudo, relatos de eventuais efeitos negativos na saúde, sobretudo quando os avós têm a custódia a tempo inteiro dos netos.

Assinalado no dia 26 de julho, o Dia Nacional dos Avós foi instituído pela Assembleia da República, em julho de 2003.