Estudo da Universidade de Oslo demonstra que praticar exercício regular durante a gravidez pode ajudar os recém-nascidos a desenvolver pulmões mais fortes e a prevenir a asma.
Ana Margarida Marques

Uma investigação da Universidade de Oslo alerta para a importância de as futuras mães praticarem exercício regular, tanto para a sua própria saúde, como para a dos seus filhos.

Mais de 800 mulheres foram questionadas sobre o quão ativas eram durante a gravidez e depois foi testada a função pulmonar dos seus bebés aos três meses de idade.

estudo demonstrou que os bebés nascidos de mães que fizeram pouco exercício tinham o dobro da probabilidade de ter uma função pulmonar deficiente.

Os resultados estão publicados na revista The New England Journal of Medicine e foram divulgados no Congresso Internacional da Sociedade Respiratória Europeia pela European Lung Foundation.

Os investigadores avaliaram os dados de bebés saudáveis nascidos de mulheres em Oslo e Estocolmo, que faziam parte de um grupo inscrito no estudo Preventing Atopic Dermatitis and ALLergies in Children (PreventADALL) entre Dezembro de 2014 e Outubro de 2016, realizado no Hospital Universitário de Oslo e no Østfold Hospital Trust, Noruega, e no Hospital Universitário Karolinska, Estocolmo, Suécia.

Função pulmonar deficiente à nascença aumenta risco de asma

As grávidas preencheram questionários sobre a sua saúde, estilo de vida, fatores socioeconómicos e de nutrição.

Também relataram com que frequência faziam exercício, durante quanto tempo e com que intensidade.

Para o estudo foram considerados fatores como a idade, a educação, o índice de massa corporal antes da gravidez, o uso de nicotina durante a gravidez, e se tinha dado à luz anteriormente, bem como asma e outras doenças relacionadas com alergias em qualquer dos pais nas suas análises.

As funções pulmonares dos recém-nascidos foram medidas através da avaliação da sua respiração enquanto estão acordados e calmos.

Os investigadores seguraram uma máscara facial sobre o nariz e boca dos recém-nascidos enquanto registavam o fluxo e volume do ar exalado e inalado.

Estudos anteriores evidenciam que uma criança com uma função pulmonar deficiente tem um maior risco de desenvolver asma, outras doenças respiratórias obstrutivas, e problemas pulmonares na terceira idade.

Segundo os autores, o exercício é uma forma simples e de baixo custo de melhorar a saúde respiratória dos bebés porque estar fisicamente apto durante toda a gravidez diminui o risco de prejudicar a função pulmonar do bebé. 

Os bebés serão acompanhados no âmbito do estudo à medida que crescem para avaliar como a função pulmonar progride e como se relaciona com o desenvolvimento de doenças respiratórias, tais como a asma.

Os cientistas pretendem também “explorar associações entre a atividade física materna e a asma, alergias e outras doenças não transmissíveis no futuro”.