Quase metade dos “kid influencers” promovem produtos alimentares e bebidas no YouTube. Mais de 90% são para marcas pouco saudáveis ou fast food, segundo um estudo na revista Pediatrics.
Ana Margarida Marques

Estudo internacional alerta que apenas 3% dos vídeos produzidos na internet por crianças (kids influencers) apresentam “artigos saudáveis sem marca” como fruta, enquanto 2% promovem “artigos saudáveis de marca”.

Mais de 90% dos produtos apresentados são de “alimentos não saudáveis de marca, bebidas ou brinquedos de fast food”. A fast food é a mais frequentemente apresentada, seguida de doces e refrigerantes.

Os resultados são apresentados numa análise de estudos publicada na revista Pediatrics.

Segundo avança a coautora do estudo, Marie Bragg, à United Press International (UPI), é frequente observar crianças “a promover fast food, doces, bebidas açucaradas e outros produtos pouco saudáveis nos seus vídeos do YouTube”. 

Nova abordagem de publicidade põe em risco saúde infantil

As crianças que promovem marcas em vídeos na internet têm entre três e 14 anos de idade. Para o estudo, os investigadores identificaram os cinco kids influencers mais populares no YouTube em 2019 e analisaram os seus vídeos mais vistos. 

Com base numa amostra de 418 vídeos do YouTube, Bragg e os seus colegas registaram aqueles que divulgaram alimentos ou bebidas, os artigos e marcas apresentados e avaliaram a sua qualidade nutricional. Os vídeos com publicidade a produtos alimentares não saudáveis foram vistos mais de 1 bilião de vezes, avançam os autores.

Os investigadores consideram que tais vídeos são problemáticos para a saúde pública, porque permitem às empresas alimentares promover alimentos pouco saudáveis de forma direta às crianças pequenas.

Anúncios alimentares levam crianças a comer em excesso

Investigações anteriores mostram que a exposição a anúncios alimentares leva as crianças a comer em excesso.

“É uma nova forma de publicidade que pode ser muito problemática para a saúde das crianças”, alerta Marie Bragg.

As empresas de alimentos e bebidas gastam anualmente 1,8 mil milhões de dólares na comercialização dos seus produtos aos jovens. Embora a publicidade televisiva seja uma importante fonte de marketing alimentar, as empresas aumentaram recentemente a sua publicidade em linha com a crescente utilização dos novos media por parte dos consumidores.

O YouTube é o segundo site mais visitado do mundo, sendo muito popular para as crianças que procuram entretenimento.

Segundo os investigadores, a crescente popularidade dos vídeos do YouTube tem captado por isso a atenção dos anunciantes que patrocinam posts para promover os seus produtos antes ou durante os vídeos.

O mais bem pago influenciador do YouTube nos últimos dois anos foi uma criança de oito anos que ganhou 26 milhões de dólares, em 2019.

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dos pais de crianças com 12 anos ou menos permitem que os seus filhos vejam o YouTube.

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 dos pais relatam que os seus filhos vêem o YouTube regularmente, de acordo com Bragg e os seus colegas.