A tecnologia ganha terreno nos dias de hoje, mas a utilização de lápis e papel continua a ser fundamental para a aquisição de competências na sala de aula.
Ana Margarida Marques

Uma equipa de investigação salienta que treinar a caligrafia é muito importante para ajudar as crianças a desenvolverem melhores competências na sala de aula. 

Os autores de um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology alertam que escrever à mão é um exercício que está cada vez mais a ser substituído pelos dispositivos tecnológicos. O uso das novas tecnologias tem alterado os hábitos de crianças e adultos, ainda mais em tempos de pandemia.

“Como os dispositivos digitais estão cada vez mais a substituir a escrita tradicional à mão, é crucial examinar as implicações a longo prazo desta prática”. Os autores consideram mesmo que “escrever à mão é a estratégia mais eficiente para uma aprendizagem eficaz na sala de aula”.

Criança deve ser orientada na caligrafia e no desenho

Na investigação foi utilizado o eletroencefalograma de alta densidade em 12 jovens adultos e 12 crianças, com 12 anos de idade, para monitorizar a sua atividade cerebral enquanto escreviam à mão, à máquina de escrever ou desenhavam.

De acordo com as conclusões, uma das principais recomendações é que as crianças, desde tenra idade, devem ser orientadas para realizar atividades de escrita à mão e de desenho na escola. 

A ativação dos sentidos que resulta do movimento que a criança faz com o lápis no papel provoca um estímulo na criação de ligações ao nível neurológico muito superior ao que acontece quando se escreve num computador. 

“Concluímos que, devido aos benefícios da integração sensorial-motora e ao maior envolvimento dos sentidos, bem como aos movimentos finos e precisamente controlados das mãos ao escrever à mão e ao desenhar, é vital manter ambas as atividades num ambiente de aprendizagem para facilitar e otimizar a aprendizagem”, escrevem os autores.