Engravidar com uma doença crónica

Conheça os principais cuidados para ter uma gravidez feliz e saudável, minimizando potenciais riscos da medicação.

Iolanda Veríssimo

A avaliação do estado de saúde da mulher antes de engravidar é importante para todas as futuras mães, mas os cuidados pré-concecionais revestem-se de especial importância para as mulheres que já têm uma patologia (diabetes, epilepsia, asma, etc.) ou que tiveram problemas em gravidezes anteriores. Nestes casos, é recomendável consultar o médico especialista na patologia, informando-o de que pretende engravidar, para que este possa fazer os ajustes recomendados no tratamento. Idealmente, antes e durante a gravidez, a mulher deve ser medicada com o mínimo número de fármacos e na menor dose possível.

Efeitos da medicação
Preferencialmente, as mulheres grávidas não devem tomar qualquer tipo de medicação, para evitar riscos associados a efeitos teratogénicos – desenvolvimento de malformações congénitas. Medicamentos para a acne, alguns antibióticos (tetraciclina e doxiciclina), antiepiléticos, psicotrópicos, anti-hipertensores, anti-inflamatórios e antineoplásicos estão entre as classes de fármacos que podem representar riscos. No entanto, há mulheres que engravidam sem saber e algumas sofrem de doenças crónicas, como epilepsia, asma, hipertensão arterial, depressão ou doenças reumáticas.

Fale com o seu médico
A evidência científica demonstra que a toma de medicamentos numa fase inicial da gravidez é relativamente comum. Na maioria dos casos, as mulheres estão medicadas para o tratamento de uma doença crónica, ou de intercorrências – por exemplo, uma infeção que necessita de antibiótico. É por isso que o período pré-concecional é o momento ideal para consultar um médico sobre esta e outras questões relevantes na preparação da gravidez. Se já estiver grávida e está a tomar medicação crónica, não deve entrar em pânico, mas antes consultar o seu médico assistente na patologia com a maior brevidade possível. O facto de se tomar medicamentos – mesmo um medicamento que, à partida, esteja descrito como problemático – não é sinónimo de complicações em todos os casos.

Minimize os riscos
As mulheres que tomam medicação para doenças crónicas, como a epilepsia, a diabetes, a asma, a hipertensão arterial ou a depressão, não devem interromper ou iniciar qualquer tipo de medicação sem antes consultarem o médico. Nalguns casos, os riscos resultantes da interrupção de medicação são maiores do que o potencial impacto da toma de um medicamento. O balanço entre os possíveis riscos e benefícios de qualquer medicamento devem ser tidos em consideração, pelo que deve ser feita uma reavaliação cuidada da dose e tipo de fármacos administrados. A mulher deve pedir apoio para definir um plano de tratamento baseado nas opções mais seguras.

As mulheres que tomam medicação para doenças crónicas, como a epilepsia, a diabetes, a asma, a hipertensão arterial ou a depressão, não devem interromper ou iniciar qualquer tipo de medicação sem antes consultarem o médico.