Tratar a infertilidade

Conheça as principais técnicas disponíveis para tratar os problemas de fertilidade.

Iolanda Veríssimo

O diagnóstico de infertilidade surge quando um casal está há pelo menos um ano a tentar engravidar, com relações sexuais regulares e desprotegidas, e não alcança a gravidez.

Nessa situação, o primeiro passo para combater o problema é consultar um médico especialista em Procriação Medicamente Assistida (PMA), também conhecida como Reprodução Medicamente Assistida.

Cada casal é único, e a forma como os problemas de fertilidade são abordados depende das características de cada um. As causas de infertilidade podem ser várias, tendo origem apenas num dos elementos do casal ou em ambos.

Quando às dificuldades do ponto de vista físico se juntam problemas ao nível psicológico (ansiedade, depressão, entre outros), torna-se mais difícil alcançar o objetivo. Por isso, é essencial que os casais saibam que a Ciência proporciona hoje uma vasta gama de possibilidades para contornar as dificuldades em engravidar.

Tratamentos em Portugal
Portugal é um dos países da Europa em que as tecnologias ligadas à Medicina Reprodutiva estão mais desenvolvidas. A PMA está acessível a todos os casais referenciados para recorrer a estas técnicas, quer através do Serviço Nacional de Saúde, quer através de instituições privadas.

Indução da ovulação
Na generalidade, a primeira abordagem para o tratamento da infertilidade é menos invasiva, baseando-se em métodos como a calendarização das relações sexuais para que estas coincidam com o período fértil, ou a indução da ovulação (prescrição de medicamentos que estimulam a ovulação, conhecidos como indutores da ovulação).

A indução da ovulação pode constituir, por si só, um tratamento para a infertilidade ou ser combinada com outras técnicas de PMA. Na indução da ovulação, são prescritos medicamentos com base em hormonas humanas – as denominadas gonadotrofinas – com o objetivo de estimular a ovulação e tornar o útero mais propício à implantação de embriões. Esta abordagem é normalmente indicada para mulheres com disfunções ligeiras da ovulação, que não apresentam alterações nas trompas e no endométrio.

Inseminação Intrauterina (IIU)
A inseminação intrauterina, também conhecida como inseminação artificial, consiste na introdução no útero de uma amostra de sémen previamente preparada em laboratório, com o objetivo de reduzir a distância entre o óvulo e o espermatozoide, e facilitar a fecundação. Na maior parte das vezes, este tratamento é combinado com a utilização de indutores de ovulação, para estimular a produção de óvulos. Esta técnica pode ser aplicada com sémen do companheiro ou com sémen de um dador. A inseminação artificial é indicada para casos em que se desconhece a origem da infertilidade, em casais nos quais a mulher tem problemas de ovulação ou no colo do útero, assim como para casais em que o homem apresenta alterações ligeiras nos espermatozoides em termos de mobilidade e concentração. Há também casais que recorrem à IIU face a perturbações psicológicas que limitam a prática de relações sexuais regulares.

Fertilização In Vitro (FIV)
Na fertilização in vitro, a fecundação ocorre fora do organismo da mulher, contemplando a recolha de ovócitos, que são depois fecundados com espermatozoides em ambiente laboratorial. Os embriões obtidos a partir deste processo são posteriormente transferidos para o útero da mulher. Este tratamento é indicado para casais cujos tratamentos com inseminação artificial não resultaram em gravidez, para os casos em que a amostra de sémen apresenta um défice ligeiro de qualidade, quando a mulher sofre de endometriose avançada, disfunções ovulatórias ou obstruções tubárias.

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI)
Nos tratamentos de fertilização in vitro, após o processo de estimulação dos ovários e recolha de ovócitos, pode optar-se pela inseminação dos ovócitos através da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), em que é injetado um único espermatozoide no interior de um ovócito. Depois desta etapa, tal como na FIV convencional, são transferidos para o útero um ou mais embriões. Esta técnica é especialmente indicada para os casais em que a amostra de sémen não é de boa qualidade ou cujos tratamentos de FIV convencionais não foram bem-sucedidos.

Doação de gâmetas
Quando os problemas de fertilidade não podem ser contornados com recurso às células sexuais do casal (os óvulos e os espermatozoides), pode recorrer-se à doação de gâmetas. Nestes casos, as técnicas de inseminação artificial e fertilização in vitro são realizadas utilizando óvulos ou espermatozoides de dadores, aumentando as hipóteses de sucesso da fecundação. A doação de gâmetas pode ser indicada face a várias questões clínicas, como a fraca qualidade dos espermatozoides ou ovócitos, menopausa precoce, abortos espontâneos de repetição, malformações congénitas, necessidade de tratamentos de quimioterapia, entre outros.

Cada casal é único, e a forma como os problemas de fertilidade são abordados depende das características de cada um.

PRINCIPAIS TÉCNICAS

  • Indução da ovulação;
  • Inseminação Intrauterina (IIU);
  • Fertilização In Vitro (FIV);
  • Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI);
  • Doação de gâmetas.