O corte do cordão umbilical pelo pai

Um crescente número de homens opta por participar no parto. Destes, muitos têm a oportunidade para cortar o cordão que une a mulher ao bebé.
Lia Pereira
Desde que os hospitais e as maternidades abriram as salas de parto aos pais nas últimas duas décadas, um crescente número de homens optou por acompanhar e apoiar a mulher ao longo do trabalho de parto e assistir ao nascimento dos filhos.

Dos que resistem a esta ideia, uma boa parte diz impressionar-se com sangue e seringas, não se sentir à vontade neste ambiente, pois até vê o parto como um ato violento, e tem medo de desmaiar em pleno «cenário de operações».

Mas também há os que, por razões culturais ou de educação, preferem ficar de fora. Do lado de fora ficam também os papás dos bebés que nascem por cesariana ou por parto instrumental, com recurso a ventosa ou fórceps, segundo os especialistas por razões que se prendem com a segurança da mulher. Aliás, sempre que à última da hora um parto normal evolui num destes sentidos, eles têm de abandonar o bloco.

Quando ficam, dar à luz passa do domínio exclusivo da mulher a experiência partilhada pelo casal, sendo mesmo apontada como uma das mais gratificantes para ambos.

Vínculo do pai com o bebé

Asseguram os especialistas que, envolvidos em todo o processo – seguramente uns mais do que outros e por motivos vários – os homens parecem dar uma importância especial ao momento em que são convidados a cortar o cordão umbilical que une a mulher ao filho.

«Sentem que o parto, que é uma coisa fisicamente só da mulher, lhes fez algum sentido e os envolve de uma outra forma», explica Isabel Carvalho, enfermeira especialista em Ginecologia e Obstetrícia. E acrescenta: «O facto de estarem ali com as mulheres, de cortarem o cordão, para eles é sinónimo de que conseguem mais do que fazer o bebé. Por outro lado, este também é o primeiro momento em que estão de facto com o filho, pois até aí estavam com mãe e o bebé in utero.»

Decisão do casal

Contudo, a presença do homem na sala de partos tem de ser muito desejada, resultado de uma decisão do casal. E nunca porque se trata de moda, ou porque de certa forma passou a ser politicamente correto fazê-lo. Pelo menos é o que defende a enfermeira. «O homem tem de estar envolvido psicologicamente na gravidez, de outra forma não vai fazer lá nada. E a mulher tem que querer a sua presença», observa, perentória, lembrando que o assunto deve ser discutido em família, «até mesmo para ficar claro o que é que a mulher espera do companheiro».

É que enquanto algumas preferem ter os maridos simplesmente ao seu lado e de mãos dadas com elas – «é o suficiente para se sentirem mais calmas, tranquilas e seguras» – outras esperam deles um papel mais ativo e participativo.