Saiba quais os principais desconfortos característicos da gravidez e aprenda estratégias para lidar com as transformações normais que ocorrem no corpo.
Ana Margarida Marques

As alterações que ocorrem no organismo da mulher são necessárias para preparar o corpo para a gravidez, o parto e a lactação. “Uma parte dos desconfortos tem a ver com os ajustes psíquicos às mudanças físicas e são também consequência desse desafio, assim como a maior ou menor tolerância aos desconfortos”, refere a psicóloga clínica Teresa Abreu, continuando: “Há sentimentos mistos em relação à gravidez e ao bebé, num momento felicíssima e no seguinte em lágrimas por nada de especial, sentimentos de dependência aumentada, dificuldade em tomar decisões.”

Náuseas e azia
As náuseas podem aparecer durante a gravidez, sobretudo no primeiro trimestre, mas é uma situação que não compromete a saúde da grávida. Em caso de vómitos persistentes, poderá ser necessário pedir a ajuda do médico assistente para saber como agir, prevenindo a desidratação. A azia é outro desconforto frequente, que poderá ser evitado, por exemplo, fazer refeições frequentes, comer amiúde e evitar dormir com o tronco reclinado.

Frequência urinária
A ação de hormonas maternas e da placenta e o aumento do volume plasmático são responsáveis por frequência urinária na gravidez. Por outro lado, o aumento do útero também provoca a compressão da bexiga.

Sensibilidade mamária
Na gravidez há um aumento do peito e alteração na pigmentação e no tamanho da aréola, área circular que envolve o mamilo. É normal sentir prurido nos mamilos, hipersensibilidade e descamação da pele. Deve-se hidratar toda a região do peito com um creme hidratante (ou um antiestrias, ou simplesmente um creme gordo). A partir das 30 semanas, o creme pode ser substituído por um outro à base de lanolina no mamilo e na aréola. Massajar suavemente o mamilo com o polegar e o indicador, duas vezes ao dia, e ir aumentando a pressão dos dedos, enquanto aplica o creme, pode diminuir a sensibilidade do mesmo aos primeiros momentos da amamentação, sugere o médico Berry Brazelton.

Prevenir as dores de costas
As curvas naturais da coluna aumentam conforme a barriga cresce. “Poderá apenas ter dores na região lombar (zona dos rins), ou ter outro tipo de dor que começa nas costas, mas parece ter um trajeto definido: meio da nádega e parte posterior da coxa (dor ciática)”, refere Marcela Forjaz, que aconselha o exercício físico (hidroginástica, natação e caminhadas) como forma de reforçar os músculos da coluna. A médica sugere ainda que, no trabalho, quando sentada, a mulher deve colocar uma altura sob os pés e uma almofada para apoio lombar.

Vencer a sonolência
É normal a grávida sentir mais sono, cansaço, falta de iniciativa e dificuldade em passar da teoria à prática. Fique com alguns truques sugeridos por Marcela Forjaz para vencer o cansaço: “Não fique a trabalhar sentada mais do que 50 minutos seguidos; ao fim desse tempo faça exercícios, mesmo sentada, com as pernas; levante-se depois e tente caminhar durante dez minutos, aproveitando para comer alguma coisa leve se for altura disso, beber água, ir à casa de banho lavar a cara e respeitar a frequência urinária comum às grávidas”.

Treine a memória
Estudos apontam que as falhas de memória durante a gravidez podem estar relacionadas com as variações de hormonas, que deixam o metabolismo mais moroso e os reflexos lentos, refere a médica Marcela Forjaz.

Circulação sanguínea
Para ajudar a aumentar a circulação sanguínea, dificultada durante a gravidez, é recomendado usar gestos simples que ajudam a contrariar a sensação de pernas inchadas e o aparecimento  de varizes, menciona a médica: evite estar sentada por longos períodos; eleve os pés; faça exercício; use collants de contenção; termine o duche com água fria sobre as pernas.

Relações sexuais
Por seu turno, a psicóloga Teresa Abreu frisa as alterações no desejo sexual, que tendem a diminuir no primeiro trimestre, ou as cãibras ou ligeiras contrações após a relação sexual, sobretudo nas últimas semanas. “Segundo os especialistas isto acontece por vários motivos, nomeadamente porque o sémen contém prostaglandinas que podem provocar a contração do útero (o uso do preservativo ameniza esta questão), ou porque a estimulação dos mamilos pode provocar a libertação de ocitocina que também provoca contração uterina”, frisa.

Outros incómodos
Em suma, os desconfortos são sentidos com maior ou menor intensidade (muitas mulheres sentem poucos incómodos). Outras ainda podem relatar sintomas como: dores de cabeça; alterações do sono e pesadelos; tonturas ou desmaios; cãibras nas pernas ou dormência dos membros; dores ao fundo da barriga; pontadas agudas na vagina; hemorroidas; problemas de dentes e gengivas e de pele e cabelo; sensação de falta de ar, sobretudo na posição deitada (durma com uma almofada adicional para elevar o peito).

Contrações de Braxton Hicks
Como relembra a psicóloga Teresa Abreu, as contrações de Braxton Hicks, vulgarmente designadas por falsas contrações, são desconfortáveis, mas não dolorosas nem ritmadas. Não aumentam em intensidade e desaparecem com o tempo. É o útero a aquecer para o grande momento do parto!