Dor no parto: métodos farmacológicos

Saiba mais sobre o recurso a técnicas como a analgesia epidural e as substâncias administradas via endovenosa durante o trabalho de parto.

Texto: Nélia Pereira, Médica Especialista em Ginecologia e Obstetrícia | Edição: Ana Margarida Marques

A analgesia epidural é um método farmacológico concebido para eliminar a dor de parto. Pode aplicar-se quando o colo do útero alcança 3 cm de dilatação e a grávida sente contrações dolorosas a cada três minutos. A técnica varia em função dos critérios de cada hospital. Durante o procedimento, o anestesista introduz uma agulha na coluna vertebral lombar até à zona epidural, onde se encontram as terminações nervosas, e através dela insere um cateter (tubo flexível muito fino) por onde são administradas doses sucessivas de anestésicos durante o parto. Vantagens da analgesia epidural
  • Abolição da dor materna, constituindo-se uma opção segura, inclusive em diversas situações patológicas, como pré-eclâmpsia, gestantes cardiopatas ou hipoxemia fetal crónica.
  • Por ser um procedimento dinâmico, é ideal para situações onde as necessidades analgésicas variam de acordo com as fases do trabalho de parto.
  • É a anestesia mais inócua para o bebé, já que está mais diluída que qualquer outra que se utilize em qualquer outro tipo de intervenção cirúrgica.
  • Ao estar mais tranquila, a mulher colabora mais e respira melhor, e, como consequência, o feto recebe mais oxigénio.
  • Permite desfrutar do momento do parto, graças à ausência da dor.
  • Pode encurtar a dilatação e consequentemente acelerar a progressão do parto, já que a mãe não está tensa com dor e as contrações são mais efetivas (quando a mulher sente dor, contrai-se e o colo uterino dilata-se mais lentamente).
  • Não necessita de entubação nem respiração assistida.
  • A mãe pode colaborar ativamente no parto sem sofrer.
  • Elimina a dor sem afetar a mobilidade das pernas (os músculos conservam a sua força).
  • Nas cesarianas, a analgesia epidural permite que a mulher esteja desperta durante a intervenção e veja o seu filho a nascer.
  • Depois do nascimento a mãe pode amamentar imediatamente.
Desvantagens da epidural
  • Ao não sentir a dor, a mãe pode empurrar com menos força e atrasar ou dificultar a saída do bebé. Por este motivo, convém fazer preparação para colaborar no nascimento.
  • Pode fomentar o uso de ventosa ou fórceps (caso a mulher não empurre bem).
  • Há uma possibilidade muito remota de que não surta efeito (e, consequentemente, a mulher ter de fazer o parto normal).
  • Às vezes as contrações uterinas diminuem de frequência ou intensidade. Neste caso, o ritmo normal deve recuperar-se com a ajuda de ocitocina.
  • Pode produzir hipotensão materna (deteta-se e soluciona-se rapidamente), tremores, dores na coluna e, muito raramente, dor de cabeça (quando acidentalmente a punção trespassa uma membrana chamada dura-máter com a consequente saída de líquido cefalorraquidiano), que passa com o tratamento.
Substâncias administradas via endovenosa Outro método farmacológico de alívio da dor durante o parto consiste em substâncias administradas via endovenosa. Estas conferem um efeito analgésico e, por vezes, relaxante, parecido com o da epidural, mas com menor tempo de duração, embora algumas possam ser administradas em doses repetidas.