Segundo os resultados de um ensaio clínico de fase 1, desenvolvido por investigadores da Universidade de Duke, nos EUA.
Fotografia: José Campos/Crioestaminal

A paralisia cerebral é a perturbação motora mais frequente na infância e está associada a lesões neurológicas ocorridas durante o desenvolvimento do sistema nervoso, antes ou após o nascimento.

O potencial destas células tem sido amplamente investigado como uma abordagem terapêutica inovadora em crianças com paralisia cerebral, apresentando resultados positivos. De acordo com a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, “em 2017, o mesmo grupo de investigadores já tinha reportado melhorias significativas em crianças pequenas com paralisia cerebral, após infusão do seu próprio sangue do cordão umbilical, armazenado à nascença”. No entanto, muitas crianças não tinham acesso a esta opção terapêutica, por não terem uma unidade de sangue do cordão umbilical armazenada, o que levou os investigadores a avaliar a segurança da administração de sangue do cordão umbilical proveniente de um irmão, explica.

Neste ensaio clínico de fase 1, participaram 15 crianças com paralisia cerebral, com idades compreendidas entre 1 e 6 anos, que tinham disponível uma amostra de sangue do cordão umbilical de um irmão, total ou parcialmente compatível, através de armazenamento prévio num banco de células estaminais. O tratamento consistiu na administração do sangue do cordão umbilical, previamente descongelado, por via intravenosa, durante cerca de 15 minutos.

Após seis meses, os participantes realizaram os mesmo exames aos quais tinham sido submetidos antes do tratamento experimental, nomeadamente análises ao sangue, exames neurológicos, TAC cerebral e avaliação da função motora. A segurança da aplicação destas células foi, adicionalmente, avaliada ao longo de dois anos após o tratamento.

Durante o período em que os participantes foram seguidos, não se verificaram efeitos adversos decorrentes do tratamento experimental, tendo, por isso, sido considerado um tratamento seguro. Os testes realizados demonstraram ainda que, seis meses após o tratamento com sangue do cordão umbilical, todas as crianças demonstraram melhorias na função motora, face ao seu nível inicial.

Embora o mecanismo pelo qual as células do sangue do cordão umbilical exercem os seus efeitos benéficos ainda não seja completamente conhecido, foram já demonstradas melhorias na conectividade cerebral em crianças tratadas. Globalmente, estes estudos sugerem que o uso de sangue do cordão umbilical, quer do próprio, quer de um irmão, pode melhorar a função motora em crianças com paralisia cerebral, com potencial impacto positivo na sua qualidade de vida e na dos seus cuidadores.