Como se comporta o bebé

Saiba mais sobre as alterações psicológicas e emocionais da criança durante os primeiros três anos de vida.

Texto: Teresa Abreu | Edição: Ana Margarida Marques

Acompanhe o desenvolvimento psicoafetivo da criança do nascimento até aos três anos – os primeiros sorrisos, quando começa a dizer “adeus”, o brincar ao faz de conta, o início da idade dos “porquês”.

1º Mês

Examina o ambiente: discriminação visual, auditiva, olfativa, gustativa, tátil, de temperatura e perceção da dor. Aprende a regular-se em termos de sono e de alimento. Acompanha a pessoa com o olhar, distingue caras conhecidas de desconhecidas.

2º Mês

Começa a observar a relação entre o que as mãos fazem, os olhos veem e os ouvidos ouvem, olha na direção do som e do movimento e “agarra com os olhos”.

3º Mês

Os olhos seguem objetos, alcança uma argola e reconhece o seu rosto e cheiro, voltando a cabeça para a sua voz.

4º Mês

Descobre um mundo novo à sua volta, explora tudo com a boca e com os olhos, consegue agarrar os objetos e vocaliza.

5º Mês

Agarra objetos com as duas mãos, leva tudo à boca, sorri com o seu reflexo no espelho.

6º Mês

Alcança os brinquedos e mostra interesse pelos detalhes como a textura, leva-os à boca, fala espontaneamente com os brinquedos, imita sons, vira-se na direção do som e vozes e faz bolhinhas de saliva.

7º Mês

Pode voltar a acordar à noite, encontra objetos parcialmente escondidos e mostra vontade de comer sozinho.

8º mês

Mostra interesse por jogos, adora especialmente atirar objetos ao chão e brincar ao “atira-apanha”.

9º mês

Reconhece jogos e rimas familiares, ri nos momentos certos, antecipa os movimentos, aponta para as coisas, pega em dois cubos e olha-os como se os comparasse, pode ter dificuldades no sono ou na alimentação.

10º Mês

Investiga brinquedos que produzem som, procura brinquedos, habitua-se à rotina, diz “adeus”, levanta o pé para se calçar. Sabe o que vai acontecer quando bate com um objeto ou o deixa cair. Pode dizer a primeira palavra.

11º Mês

Descobre os objetos, é curioso e explorador, mostra coisas num livro, diz a primeira palavra compreensível para os pais.

12º Mês

Compreende cada dia mais palavras, diz duas ou três e é capaz de fazer riscos com um lápis.

14º Mês

Imita o adulto, imita garatujas e gosta de pôr e tirar objetos numa caixa.

16º Mês

Identifica partes do corpo e objetos num livro, folheia o livro, reproduz sons de animais, tenta despir-se, compreende ordens simples, calça meias, sapatos e luvas, tem melhor controlo sobre o lápis e usa o brinquedo no espaço de relação entre ele e a mãe.

18º Mês

Aponta objetos num livro se lhe disser, mostra pelo menos três partes do seu corpo, tenta imitá-lo, corresponde a pedidos que exigem compreensão e memória, gosta de pintar com os dedos e brinca ao faz de conta.

20º mês

Diz frases de duas palavras, mostra e nomeia até três figuras.

22º mês

Pede comida, bebida, brinquedos. Já consegue pedir para ir ao bacio. Consegue montar uma torre de quatro cubos e discrimina entre dois objetos.

24º mês

Descreve as propriedades dos objetos familiares e identifica‑os, segue instruções simples, fala sem parar, tem sentido de humor, usa frases de pelo menos duas palavras, chega ao “não” e faz birras.

36º meses

É a idade dos “porquês”, sabe contar até dez, gosta de conversar e usa frases de várias sílabas, com verbos também no passado, compreende a linguagem num sentido afetivo, pode referir-se a si própria como “eu”, distingue os objetos pela forma e cor e copia círculos e retas.

Leia com atenção

  • Cada bebé é único e desenvolve-se ao seu próprio ritmo.
  • A evolução do seu bebé pode acontecer mais cedo ou mais tarde, sem que isso seja motivo de preocupação.
  • É possível uma aparente regressão na aquisição de competências sempre que há uma nova etapa.
  • Um espírito de abertura e uma boa dose de amor e sintonia por parte dos pais facilitará o encontro entre o mundo da criança e aquele que ela encontra.
  • Os pais devem partilhar as suas preocupações com um médico da sua confiança.
  • As preocupações dos pais são fruto da sua vulnerabilidade, mas por vezes a sua sensibilidade pode alertar para uma necessidade de apoio ou intervenção.