A investigação das bactérias no intestino pode desempenhar um papel chave na descoberta de novos caminhos para tratar eventuais danos cerebrais em bebés prematuros, segundo um estudo publicado na revista Cell Host & Microbe.
Ana Margarida Marques

Uma equipa da Universidade de Viena acredita que o crescimento excessivo do tracto gastrointestinal com a bactéria Klebsiella está associado a um aumento da presença de células imunitárias e ao desenvolvimento de danos neurológicos em bebés prematuros. 

estudo encontra-se publicado na revista Cell Host & Microbe

Interação complexa entre intestino, do cérebro e do sistema imunitário

Como explicam os autores, o desenvolvimento do intestino, do cérebro e do sistema imunitário estão intimamente ligados entre si. 

As bactérias do intestino cooperam com o sistema imunitário, que, por sua vez, monitoriza os micróbios intestinais e desenvolve respostas adequadas aos mesmos. 

“Os microrganismos do microbioma intestinal – que é uma coleção vital de centenas de espécies de bactérias, fungos, vírus e outros micróbios – estão em equilíbrio em pessoas saudáveis. No entanto, especialmente em bebés prematuros, cujo sistema imunitário e microbiomo não foram capazes de se desenvolver plenamente, é bastante provável que ocorram mudanças. Estas mudanças podem resultar em efeitos negativos no cérebro”, avança o investigador principal do estudo, David Seki, microbiologista e imunologista. 

Padrões no microbioma fornecem pistas para lesões cerebrais

“De facto, fomos capazes de identificar certos padrões no microbioma e na resposta imunológica que estão claramente ligados à progressão e gravidade dos danos cerebrais”, acrescenta David Berry, microbiologista e chefe do grupo de investigação do Centro de Microbiologia e Ciência de Sistemas Ambientais (CMESS) da Universidade de Viena.