Um estudo realizado com base nos dados de 1,2 milhões de mulheres concluiu que a amamentação pode favorecer a saúde do coração da mãe durante anos. As conclusões estão publicadas no Journal of the American Heart Association.
Texto: Ana Margarida Marques | Fotografia: Shutterstock

Um novo estudo concluiu que as mulheres que amamentam os filhos podem ter 11% menos probabilidades de desenvolver doenças cardíacas, 12% menos risco de ter um AVC e 17% menos hipóteses de morrer de doenças cardíacas durante dez anos de seguimento, quando comparadas com as mães que nunca amamentaram.

As conclusões do artigo encontram-se publicadas na revista Journal of the American Heart Association.

Perda de peso mais rápida após o parto

Uma equipa de investigação analisou informações sobre 1,2 milhões de mulheres que participaram em oito estudos, realizados entre 1986 e 2009, em vários países. 

Foi analisado quanto tempo as mulheres amamentaram, quantos filhos tiveram, a sua idade no primeiro nascimento, e se tiveram um ataque cardíaco ou um AVC durante os dez anos seguintes.

Há evidência científica anterior que as mulheres que amamentam têm menos probabilidades de desenvolver diabetes tipo 2 e alguns cancros, entre outros benefícios.

Apesar de o estudo em causa não ter sido concebido para precisar como o aleitamento materno protege o coração das mães, existem resultados descritos no estudo pelos autores.

“A amamentação pode facilitar uma perda de peso mais rápida após o parto, e isto pode ser benéfico, pois sabe-se que o peso elevado é um fator de risco para doenças cardiovasculares”, explica a autora do estudo Lena Tschiderer, investigadora pós-doutorada na Universidade de Medicina de Innsbruck, na Áustria.

Mais facilidade em restabelecer o metabolismo

Além disso, o aleitamento materno pode ajudar a restabelecer o metabolismo da mulher.

“Isto inclui a reposição de fatores que também estão associados a um risco cardiovascular acrescido”, segundo Tschiderer.

Segundo o estudo, os benefícios decorreram para as mulheres que amamentaram durante qualquer período de tempo e pareciam ser ainda maiores para as que amamentaram até um ano. 

Os resultados não apontam se a amamentação é mais benéfica por períodos ainda mais longos, porque a amostra do estudo não reuniu o número suficiente de mulheres que amamentaram durante mais de dois anos

A Organização Mundial de Saúde recomenda que o aleitamento materno deve ser exclusivo até aos seis meses e que o bebé receba leite materno até aos dois anos de vida.